Tecnologias de Informação e Comunicações

18 julho 2007

Notas Soltas - Desmascare os rootkits, malwares espiões que se escondem no sistema

Ferramenta é utilizada por crackers para manter códigos maliciosos ocultos no sistema operacional e se proteger no anonimato.

Crianças adoram brincar de esconder. A mesma atitude é inerente aos rootkits, projectados para permanecerem camuflados em um computador.

Os rootkits são um conjunto de programas utilizados por crackers para ocultar arquivos maliciosos. Tecnicamente, é possível afirmar que o rootkit é uma evolução dos cavalos-de-tróia, malwares desenvolvidos para ganhar acesso de um computador.

Contudo, a característica principal desta ferramenta é o facto de serem capazes de fugirem da identificação. Para tal, ela se instala principalmente no modo kernel (o núcleo do sistema operacional), onde encontra maior capacidade de se esconder.

“Mais próximo ao sistema operacional, ele está mais protegido”, explica o engenheiro de sistemas da Symantec, André Carrareto.

Os rootkits também podem se instalar no modo usuário, apesar deste comportamento ser mais incomum, pois este local o torna mais frágil. Ali, ele pode interceptar chamadas da API (interface para programação de aplicativos) e modifica seus registros.

“O gerenciador de tarefas do Windows, por exemplo, lista os processos e permite que algo estranho seja identificado. O rootkit não permite que esta listagem mostre suas actividades”, diz Carrareto.

Os antivírus, de um modo geral, não rastreiam estes esconderijos, o que permite que, além de se tornar invisível, o rootkit instale os códigos maliciosos que desejar e manipular uma rede da forma que melhor lhe convir.

Da raiz

Do inglês “root” (raiz), o termo deixa clara a actuação deste malware, que alcança a raiz de um computador – local onde possui altos privilégios.

Originalmente, o termo se referia a um conjunto de ferramentas (daí o kit) do sistema operacional Unix. “Como todo malware, ele foi criado para facilitar a vida das pessoas. Ele era utilizado para auxiliar os administradores do sistema Unix a gerenciarem a máquina”, explica Carrareto.

A fama desta ferramenta adquiriu proporções globais quando a gravadora Sony/BMG integrou o software XPC, que actua de forma similar a um rootkit, aos seus CDs, em 2005.

O “rootkit-DRM” actuava para impedir cópias do álbum, até que um especialista descobriu que, além desta função, ele tornava os micros onde era instalada, vulneráveis a invasões.

Um semana após a eclosão do escândalo, que custou 1,5 milhão de dólares aos cofres da gravadora, foi detectado o primeiro malware que usava o rootkit integrado aos CDs da Sony/BMG para se camuflar no PC da vítima.

Perigo invisível

O objectivo - e peculiaridade - do rootkit é se manter camuflado. Esta ferramenta pode ser dividida em diversos tipos, variáveis de acordo com o nível de actuação no sistema: firmware, applicação, kernel e assim por diante.

Sozinho, o rootkit não faz nada. “Seu objectivo é esconder a acção de actividade maliciosa no PC ou servidor”, explica o engenheiro de suporte da BitDefender, Luciano Goulart.

Isto permite que um backdoor, por exemplo, que abre a máquina para acesso remoto do invasor, não seja identificado quando as portas de rede são examinadas. Inclusive, “com a característica de camuflagem, o poder de fraude aumenta potencialmente”, alerta Carrareto.

Quantidade de esconderijos

Só nos dois primeiros meses deste ano, a PandaLabs detectou 25% do total de rootkits encontrados em 2006.

Dos cinco rootkits que mais actuaram no último semestre, três deles o faziam no modo kernel, segundo a PandLab. Neste período, os crackers têm desenvolvido técnicas cada vez mais complexas e difíceis de serem detectadas.

No primeiro trimestre de 2007, a McAfee identificou um crescimento de 15% de rootkits em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O número de rootkits, desde sua popularização, têm crescido em alta velocidade. Segundo a McAfee, entre 2005 e 2006, o aumento de ataques que usavam rootkits cresceu 700%.

A Microsoft afirmou, há dois anos, que mais de 20% de todos os malwares removidos do Windows XP com Service Pack 2 eram rootkits.

Carona na vulnerabilidade

Enquanto os malwares, como vírus e worms, atacam a máquina e são seu próprio meio de transporte para chegar a um computador, esta ferramenta pega carona em um arquivo malicioso para aceder a um sistema.

“Muitas vezes o usuário, sem perceber, instala um código malicioso que é programado para inserir o rootkit no micro pela internet”, diz Carrareto.

Também é possível que, junto a técnicas de phishing, por exemplo, o usuário possa instalar arquivos executáveis e, dessa forma, se infecte com o rootkit.

O programa é inteligente e pode possuir comandos altamente sofisticados. O Backdoor.Rustock é um exemplo deste avanço.

“Ele inclui técnicas designadas para driblar a maioria dos softwares anti-rootkit, e pode até mudar seu comportamento para ficar cada vez mais invisível caso perceba que uma ferramenta de detecção está rodando no sistema”, afirma Goulart.

Encontrar e excluir o visitante oculto

Para que os rootkits não encontrem brechas pelas quais possam se infiltrar no computador, a primeira coisa a ser feita é manter em dia as actualizações do sistema.

“O usuário precisa manter as correcções do sistema operacional em dia, mas ele não pode se proteger sozinho”, explica Carrareto.

Portanto, também é preciso manter actualizadas as ferramentas de protecção, como antivírus e firewalls.

Actualmente, algumas tecnologias têm como alvo principal a detecção de rootkits e conseguem removê-los. Contudo, se isto não é possível, é necessário reinstalar o sistema operacional.

E como identificar um rootkit?

“A ferramenta irá identificar um malware, e o usuário irá buscar informações no fabricante do antivírus e saber se este possui um comportamento característico a um rootkit”, indica Carrareto.

“Os mais difíceis de detectar são os que gerenciam ‘ganchos’ no kernel, mas não escrevem nada no disco, residindo somente em memória”, revela Goulart.

Estes são grandes ameaças a servidores, onde a máquina só é reiniciada em situações raras.

Protecção gratuita

O usuário conta com alguns programas gratuitos disponíveis na rede, específicos para identificar rootkits.

Um deles é o AVG Anti-Rootkit, da Grisoft, que pode ser baixado no site da empresa.

A Sophos também tem disponível para download sua ferramenta gratuita de identificação e remoção desta ameaça.

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Notas Soltas - Saiba como proteger seu computador dos vírus sem gastar dinheiro

Quem anualmente não foi vítima de infestações de vírus em seu computador? Inúmeras técnicas são utilizadas para espalhar essas pragas que roubam dados, danificam o sistema, lotam o HD ou fazem coisas irritantes como apagar arquivos e alterar drivers.

Um bom software de antivírus é uma ferramenta indispensável para qualquer computador. Pelo volume de spams e sites com conteúdo malicioso na web, uma máquina não pode estar desprotegida.

Segundo Denny Roger, analista de segurança de redes da Batori Software & Security e colunista do IDG Now!, a diferença básica entre os antivírus gratuitos e pagos é a frequência de actualização. “O antivírus pago actualiza-se quatro vezes, no mínimo, durante o mesmo dia. Os gratuitos sofrem geralmente uma actualização por dia”, compara.

Roger citou um caso onde foram avaliadas 47 máquinas de uma empresa com quatro softwares antivírus instalados. Todas as máquinas com antivírus gratuitos, segundo Roger, estavam infectadas por vírus criados recentemente. Contudo, uma máquina com antivírus pago estava infectada por uma praga, que só foi removida após a instalação de um software gratuito.

Os antivírus gratuitos mais conhecidos são o AVG e o avast!. Ambos oferecem protecção completa ao sistema, bem como actualizações ao banco de vírus, não deixando que sua máquina fique desactualizada.

O avast! 4 Home Edition pode ser baixado em português, o AVG Free somente em inglês.

Uma outra dica a custo zero são os programas que removem spywares. Uma excelente ferramenta de proteção é o Spybot Search & Destroy, com uma plataforma muito simples e eficiente. Há outras ferramentas gratuitas para remoção de malwares, fornecidas muitas vezes por empresas de antivírus pagos, um exemplo são os pacotes oferecidos pela Eset, fornecedora do antivírus NOD32.

Mesmo instalando as ferramentas de protecção, o usuário não deve relaxar. Segundo Roger, é preciso ficar atento aos boletins das empresas sobre actualizações de software e actualizar manualmente o banco de dados do antivírus com frequência. Realizar varreduras diárias é uma outra medida importante.

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Notas Soltas - Duas firmas de segurança notificaram falhas em dois populares programas antivírus distribuídos gratuitamente na Internet

Duas firmas de segurança notificaram falhas em dois populares programas antivírus distribuídos gratuitamente na Internet: o ClamAV, para plataformas Linux, e o AVG, para Windows.

Segundo o site Heise Security, a empresa Metaeye Security notificou em seu site que ao processar arquivos compactados RAR que estivessem corrompidos, o programa ClamAV poderia parar de funcionar correctamente.

O aplicativo antivírus AVG, da Grisoft, também não estava livre de falhas. A NGSSoftware descobriu que o driver avg7core.sys continha uma vulnerabilidade que permitiria sobrescrever a memória do kernel do sistema para aumentar os privilégios de um usuário local.

Ambas as fabricantes já resolveram as questões. O ClamAV agora teve sua versão 0.91 lançada, que remove a deficiência no processamento de arquivos RAR e pode ser baixada no site clamav.net. A Grisoft, por sua vez, distribuiu pelo seu sistema de actualização automática do software AVG a solução do bug de privilégios.

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